A minha Izzie

No 10º ano decidi mudar de agrupamento. Fiz um ano em Ciências e Tecnológicas, ao qual passei, mas aquilo não era de todo para mim. Mudei para Ciências e Humanidades. Venham de lá com as piadas de merda que todos nós já sabemos de cor.

Mentalizei-me que iria ter colegas novos e isso deixou-me com medo na altura. Em relação à mudança de agrupamento, não poderia estar mais satisfeita. Fiquei numa turma que já se conheciam entre eles. Sentia-me desajustada. Amizades de longa data e eu era uma estranha que ali foi parar.

Como só tinha 3 disciplinas de 10º ano para fazer, acabei por me cruzar poucas vezes com eles. Não me lembro como começou, mas lembro-me de ser amiga da Fuwazinha e de ela ser tão ou mais maluca que eu. Tínhamos um grupo de amigas pequeno que se escondia no lance de escadas a caminho da Associação de Estudantes.

Agora vem a parte mais cómica, a Izzie era uma pessoa irritante na altura, uma pessoa com quem não me dei imediato. Não me perguntem porquê ou como, a resposta será sempre, eramos adolescentes. Sabem aquelas pessoas que não faltavam às aulas, ou que iam às aulas de substituição? Entretanto ela mudou, mas é assim que me lembro da minha Izzie do liceu.

Foram muitas as amizades que fiz no liceu e na faculdade, mas foram poucas que resistiram ao tempo e à distância. Quando somos jovens acreditamos que o nosso grupo de amigos jamais de se vai separar, a ideia não podia estar mais errada.

Tenho 3 grandes amigas às quais vou aqui agradecer, hoje calha à minha adorada Izzie.

A Izzie é a pessoa em quem mais confio, sei que com ela posso sempre contar. Somos honestas e quando há algo de mal se passar na nossa vida, somos capazes de gritar para que a outra perceba a merda que está a fazer. Ela já limpou muitas lágrimas e já me socorreu demasiadas vezes. Se calhar ela merecia uma amiga melhor, pois sei que não sou a amiga que ela tanto merece.

Ela sabe o que me faz feliz, ela é capaz de me mentir só para que fique feliz. Ela abraça-me mesmo quando não pode. Ela põe-me a chorar com postais de Natal. Grita comigo as maiores verdades. Fá-lo à maneira dela e muitas vezes acaba por me pedir desculpa por ter sido bruta. A verdade é que não podia ser de outra forma. Somos teimosas e fazemos o que for preciso para ver a outra bem.

Podia contar algumas histórias para a envergonhar, mas sabem uma coisa? Somos um trio de Sexo e a Cidade, precisamos de uma Samantha para o grupo… e ainda estamos em conversações acerca de quem é quem, lógico que sou a Carrie Bradshaw.

A nossa amizade conta com uns longos 13 anos e só nos chateamos uma vez. Foi das sensações mais horríveis e senti-me desamparada. A nossa zanga durou 1 semana, pois entre pedidos de desculpa e choradeira, percebemos que não vivemos uma sem a outra. Dizem que Gémeos e Escorpião não se dão. A prova está na nossa amizade.

Acredito que um dia ela me vá deixar e que se mude para outras bandas, mas sei que ela será feliz. Caso contrário, a pessoa que lhe faça mal não sabe com quem se meteu. Posso ter ar de sonsa, mas as aparências iludem.

A minha Izzie é o John Deacon da banda Sardinha com Bigodes e só não é o Freddie porque não lhe dão o microfone (tenho um vídeo que prova que ela canta bem) – Não nos podemos esquecer do espetáculo em plena avenida 5 de Outubro e do futuro Karaoke, Bohemian Raspody – É uma rapariga com muitos talentos, não se deixem iludir pelo ar de má porque já a vi chorar com a Bela e o Monstro.

Obrigada por tudo, pelas palavras, pelos puxões de orelhas mas sobretudo, por continuares a ser a uma das minhas melhores amigas.

Gosto muito de ti, não fosses tu a minha Izzie.

Provavelmente levarei nas orelhas depois deste post, mas valerá a pena. Então cabrona, já estás a chorar?

A imagem é da Orquestr’UP – roubei à descarada

4 Comentários

  1. E que bela homenagem que lhe prestas aqui *-*
    Realmente, há muitas ideias que temos quando somos mais jovens – e, em parte, ainda bem que as temos -, mas a verdade é que crescemos e compreendemos que, sobretudo nas amizades, não permanece tudo igual.

    • Ela merece. A adolescência ajuda-nos a perceber algumas coisas mas quando nos tornamos adultos, percebemos que não é bem assim.

Deixa um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*